Planeja-se construir a 3ª maior hidrelétrica do mundo no Brasil e reclama-se do impacto ambiental e social. Aí um vídeo bonitinho, repleto de pessoas do bem, afirma que durante uma época do ano baixa o nível do rio, e que o reservatório da usina alagaria 640Km2 (um quadrado de 25 quilômetros de lado, a distância entre o Bar do Arantes e a Barra da Lagoa, em linha reta) e sugere alternativas: energia solar e eólica. Então vamos a alguns fatos:
ENERGIA SOLAR: além da baixa eficiência (menor que 40%, e isso quando dá um belo sol), uma usina dessas no Brasil precisaria de 532 mil Km2 de painéis solares pra prover os 11,2 mil MW de potência prevista para Belo Monte, QUANDO TIVESSE SOL. A maior usina solar do mundo, em Sarnia, Canadá, tem 80MW de capacidade instalada em uma área de 3,800 Km2. Pense um quadrado de 730 quilômetros de lado, desmatado, na Floresta Amazônica (a distância entre Porto Alegre e Montevidéu). Super sustentável não?
ENERGIA EÓLICA: o que será a maior usina eólica do mundo, London Array, no Canal da Mancha, terá a capacidade de 1.000MW de energia dentro de 230km2, o que no Brasil traduzir-se-ia em 2.576km2 para gerar o equivalente a 11.200 MW de Belo Monte, QUANDO TIVER VENTO.
Legal se utilizassem alternativas energéticas, legal mesmo. Se o Brasil investisse em tecnologia, talvez baixássemos o preço das turbinas eólicas e aumentássemos o rendimento das usinas solares. Mais legal ainda seria se o governo prestar toda assistência para as populações prejudicadas, o que acho realmente que não deverão ser poucas.
Mas da mesma forma como cobra-se a baixa dos impostos, ou a melhora da educação, da saúde no conforto dos nossos lares “com um só clique”, sendo “do bem”, fazendo “pensamento positivo” e assinando petições online gastando energia elétrica de algum lugar (oh, de uma usina construída por maléficos ditadores!), mantém-se as estruturas políticas nacional, regional e municipal intactas, as mesmas que permitem a gastança, a ineficiência e a corrupção que corrói o Brasil.
Como a realidade é essa, infelizmente que se escolha a que tenha menos impacto hoje em dia. Energia limpa e sustentável é bonito para uma Dinamarca e uma Alemanha desindustrializada. A nossa realidade é a de tentar pegar o bonde do desenvolvimento e a primeira etapa é o aumento do nosso parque fabril. Ou alguém consegue sustentar uma indústria 24h/7d com pilhas AA recarregáveis?
Saco vazio não se sustenta em pé.


